Veículo: Site Correio Popular
Data: 28/03/05
Seção: Classificados


Para revendas, alta de juros pouco influi no financiamento de carros


Fonte: Sheila Vieira / Correio Popular

A flutução de algumas taxas de juros nem sempre influenciam diretamente no valor das prestações de um financiamento de automóvel. A taxa Selic, que encerrou fevereiro em 1,22% ao mês, segundo o gerente de vendas da SportCar Veículos, Reginaldo Carlos Parma, influi pouquíssimo no valor das prestações. A população, diz ele, é mal informada com relação aos efeitos do aumento da taxa Selic no valor do financiamento. “Nos últimos meses ocorreram três aumentos da Selic e não houve nenhum repasse para as tabelas de automóveis”, conta Parma, que aponta uma queda de 70% na média de volume de carros financiados, em relação ao primeiro bimestre de 2004. Até março do ano passado a loja financiou R$ 2,1 milhões. Este ano ainda não chegou a 30% deste montante. No primeiro trimestre de 2004 a SportCar comercializou 260 unidades, este ano foram apenas 160 automóveis até o momento.

O gerente atribui essa queda à vaga divulgação de informações por parte do Governo, o que cria barreiras na cabeça das pessoas para assumirem um financiamento. Recentemente foi divulgada a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar os juros em 0,50 ponto porcentual, o que fez o mercado financeiro passar a acreditar que uma queda só voltará a ocorrer em agosto. Segundo Parma, para o caso de financiamentos com garantia, como o de veículos onde o risco é mínimo, esse aumento não representa nada. Em um exemplo dado pelo gerente, uma taxa de 1% aplicada em um financiamento de R$ 10 mil, corresponde a R$ 100, se o prazo for de 36 meses, o aumento diluído ao longo do período não incide em grandes alterações no valor da prestação.

Para o gerente de vendas da Dahruj Chevrolet, André Luciano Scinocca, o mercado é especulativo embora já é sabido que a taxa para automóvel é a segunda mais baixa, perdendo apenas para a habitação. Na Rede Dahruj a taxa média para financiamento é de 1.69 % am e não oscila para planos em 24, 36 ou 48 meses. Na Rede Dahruj as vendas de veículos usados cresceram 20% no primeiro bimestre.

Na venda de bens duráveis e semi-duráveis, conforme explica o economista Laerte Martins, responsável pelo Departamento de Economia da Associação Comercial e Industrial de Campinas (ACIC), a taxa Selic incide baixa influência, principalmente nos últimos quatro anos, quando o mercado formado pelas concessionárias e industrias automobilísticas passou a reduzir as taxas de juros. De dois anos para cá, apesar de a taxa Selic ter sofrido variações de picos altos e baixos, o mercado partiu para as promoções e para os financiamentos em prazos alongados, reduzindo razoavelmente as taxas de juros. “O financiamento de automóvel sofreu uma imposição de juros diferenciada”, diz o economista da ACIC. O que rege a incidência das taxas de juros sobre o financiamento é a origem do capital de giro. Conforme Martins, no caso de uma revenda autônoma, os juros serão calculados conforme as exigências da instituição financeira. Quando o capital de giro é próprio, como é o caso de muitos bancos de montadoras, o custo é calculado através do mix de outras vendas. O preço do dinheiro para financiamento fica, por exemplo, desatrelado à taxa Selic. “Compensa comprar na rede com financiamento próprio. A Peugeot chegou a vender em até 12 meses com juros 0%. A Volkswagen financiava alguns modelos com taxas de 0.99%. Só em Selic, que em março subiu para 19,25%, a referência mensal é de 1,48%”, diz o economista.

Segundo dados da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), em 2004 foram financiados 408.061 veículos. Conforme o presidente da Associação das Revendedoras de Veículos Automotores no Estado de São Paulo (Assovesp), George Assad Chahade, em janeiro e fevereiro o nível de financiamentos no mercado de automóveis atingiu 70%. O volume de negócios foi de 54 mil unidades em janeiro e 56 mil em fevereiro, o que resultou em 39 mil veículos financiados. Segundo Chahade, o financiamento é algo cíclico no mercado. Quando há grandes alterações nas taxas, a compra a longo prazo fica mais seletiva. “Em março o volume de financiamentos deve cair devido ao aumento dos juros. Uma das influências é o aumento da Selic, tida como taxa sinalizadora”, explica o presidente da Assovesp, que diz que o aumento de juros traz efeitos sintomáticos na cabeça do consumidor e cria a inibição para o financiamento. A melhor forma de incentivar a compra a logo prazo é a estabilidade financeira. Em 2002, o setor teve um dos seus melhores desempenhos dos últimos anos, quando 650 mil unidades foram comercializadas. A meta para 2005 é alcançar esse índice, vislumbra Chahade.

Serviço
Febraban - www.febraban.org.br
SportCar - (19) 3234-7999
Dahruj Chevrolet - (19) 3753-4400
Assovesp - (11) 5594-8500.